À laia do gato fedorento, vou contar-vos o que se passou comigo por altura da Páscoa em Penamacor. Pois é meus amigos. Ficaria mal com a minha conciência se, pelo menos, não tentasse fazer eco público de um acto de zelo exemplar, coisa rara, mas mesmo, mesmo muito rara! nestes nossos difíceis tempos em que, em boa verdade, anda tudo a fugir com o rabo à seringa, que é como quem diz, à responsabilidade. Pois bem, eu , como cidadão, pacato cidadão diga-se, por ventura pouco dado a actos de grande coragem (não me está no sangue, se me faço entender), não deixo de admirar o brio, a intrepidez, a galhardia com que outros agem, sobretudo quando se trata de agentes da autoridade cuja função é manter o pessoal na ordem. Por isso, eu quero aqui prestar pública homenagem ao gênêrrê de Penamacor que há dias me autuou por estacionamento indevido naquela vila raiana.
Assim é que se faz! E contra mim falo! Quem me manda parar onde não devo??? E logo numa das artérias mais movimentadas da terra! Eh pá, eu compreendo que gênêrrê que é gênêrrê tem de fazer o seu papel, que é para isso que lhe pagam! A malta é que é baldas! "Ah! e tal, fui só ali ao banco com a minha mãe, que já atina mal, coitada, tem o marido lá na cama, na aldeia, sabem, de uma trombose que lhe deu vai para três anos, de modos que dei aqui uma corridinha com ela..." Enfim as queixas do costume...
Desculpas!!! Por isso é que eu compreendo que o gênêrrê, que não tem que ouvir destas merdas de um qualquer, se fique ali pela esquina, assim meio escondido, à espera que a malta poise. A malta é incauta, não sabe, vem de lá e... zás! toma lá 60 euritos que é para não te armares em indígena!
Acho bem! É a lei! E não há conversas da treta, "ah e tal, foi a primeira multa da minha vida em trita anos que já levo com a roda nas mãos..." Ora aí está! Mais uma razão para o gênêrrê se sentir orgulhoso! Acabou-me com a virgindade!
Agora a sério, eu até compreendo o zelo do gênêrrê. Apanhar ladrões é uma carga de trabalhos, uma chatice daquelas! E depois ladrões são coisa que nem há!!! E mostrar serviço é preciso! Se não, como se justificaria a presênça da gênêrrê em Penamacor? Ao fim e ao cabo é bom haver gajos como eu, que vão de Lisboa à terrinha, armados em carapaus, e que pensam que é chegar ali, pôr o carro onde lhes apetece e... pumba! toma lá as amendoas da Páscoa!
Da parte que me toca, garanto que aprendi a lição. Decididamente, com o problema de trânsito intensíssimo de que Penamacor sofre, que aliás justifica plenamente o apertado controlo da gênêrrê local,
o melhor é passar ao largo.ACEITO COMENTÁRIOS EM DEFESA DA GÊNÊRRÊ DE PENAMACOR